A fenomenologia dos gestos carnais



De que maneira vem o sentido aos gestos carnais?
A sexualidade é um processo, uma inegável dimensão expressiva da pessoa. Tal processo inclui comportamentos, como são as reações aos estímulos da presença (sua carne, seus gestos, palavras; encanto beleza, charme... e por aí vai...). Inclui ainda, condutas, as ações que tem algum objetivo (assegurar a presença, delimitar ou repelir; chamar a atenção, regular a intensidade da carícia, dos gestos... abrir-se ao orgasmo...). Finalmente, expressa também a maneira de ser da pessoa. No âmbito da sexualidade, como nas outras dimensões, todo gesto humano é significante. Mas o sentido não é intencionalidade irredutível; o sentido é revelado pela diferença. Pense por exemplo na diferença entre um toque casual e uma carícia. O sentido assume uma das significâncias do gesto.

O gesto carnal é um ato humano, com intencionalidade, significância e sentido; é uma atitude diante do outro, que expressa a pessoa do agente. Trata-se da existência da pessoa está à flor da pele. Mas os gestos carnais tem uma fraqueza, eles escapam facilmente à vontade; há uma certa comoção diante da carne do outro. A consciência clara tem pouco controle sobre eles. Assim, eles revelam muito sobre a pessoa (o sujeito), a verdade do seu corpo, do seu desejo.
Pessoa, corpo e desejo não estão isolados, na cama, por assim dizer. Mas pertencem, se pertencem, e além, à famílio, grupo, sociedade. O vínculo da carne se desfaz após os gestos carnais, mas permanece a marca do desejo, da busca, da realização... O vínculo passa a transcender o(s) ato(s), e pede o consórcio, o consentimento, a sociedade. Agora, nesta esfera, as marcas de eros, para além de sua significância no ato, apontam ou pedem o sentido. Note-se para a(s) realidade(s) apontadas pela busca do sentido.
As músicas de Lady Gaga são um hino para os marginalizados, na opinião de Helen Lee, especialista em teologia e comunicação da Fordham University, nos EUA.


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O fim do sexo na era de Lady Gaga

Gaga não é nem escandalosa: é o sinal de uma geração que perdeu o valor simbólico do eros. Não há nada de sexy na cantora, mesmo que ela exponha seus metros quadrados de "carne pálida". É o sinal do fracasso da revolução dos costumes.
Veja o texto de Camille Paglia, feminista, em IHU.

Antropologia e Ética

Por Marcos Vinícius L. Cançado

Aristóteles dizia que a virtude está no meio, na justa medida. É a justa medida o elemento para abordarmos os temas: antropologia e ética. Estão unidas justamente porque o autor essencial, o objeto de estudo de ambas é o homem. O que irá mudar nessas ciências não será o objeto de estudos, mas o enfoque que a ele se dá! Como não temos uma resposta que consiga abarcar, no sentido de esgotar, a antropologia e a ética em seus fundamentos, princípios (Arché), faz-se necessário encontrar os justos pontos de cada uma.
Sabemos que a maior grandeza está em entender a nossa própria estrutura. A Antropologia é a ciência que busca a visão global, total do homem. É por causa da busca constante do homem pela verdade, que a antropologia procura a verdade do homem.  Assim temos uma ciência que visa compreender o homem sempre num horizonte comum no qual, o mesmo compreende-se e distingue-se dos outros. Ao indagar sobre a arché do ser humano, o homem já posicionado num horizonte comunitário e mundano, a antropologia desenvolve uma auto-compreensão do homem. Para tal compreensão, a antropologia usará o método dialético, ou seja, visará sobre todos os fenômenos que o homem manifesta-se a partir da sua própria pré-compreensão da totalidade, fazendo com que a pré-compreensão seja margeada pelos fenômenos  do homem e da unidade. Dessa forma, a antropologia conhecerá os mais significativos fenômenos em que o homem se revela. Assim vemos que o homem é: a) um ser radicalmente aberto; b) um ser com o outro no mundo; c) um ser de realidade afetiva.  E a antropologia abrindo o mundo para o homem e o homem para o mundo, numa relação de reciprocidade.

A ética visita as relações humanas para encontrar a dignidade do homem como ser livre capaz de reconhecimento do outro, de ser justo ou solidário etc. Portanto a ética é a ciência da ação humana que procura Conscientizar o homem de seu papel no mundo, humanizando-o. É a ciência da virtude, da pergunta sobre a ação, da moral, da existência, (conviver na ação), do senso moral, da vivência... enfim de tudo que o homem traz movido pela sua própria subjetividade, que o faz refletir sobre quem ele é quando age. É uma espécie de combate que travamos com a experiência, e que optamos, ai reagimos diante do mal , na fundamentação do sentido total da ação. A ética é a tarefa de tornar humano o humano.

Enfim, a Antropologia e a ética são ciências cujo objeto é o homem. Na primeira, a sua essência é totalidade; a segunda, sua ação e o seu thelos. Ambas tecem teorias sobre a construção do objeto de conhecimento, mas ainda temos muito o que descobrir sobre este objeto: o homem.

A crise do masculino

A masculinidade imposta historicamente tem cura. A chave: deixar de lado as etiquetas e criar uma imagem própria na qual compartilhar e sentir não sejam sinônimos de menos virilidade.


Existe uma masculinidade emocional e fisicamente saudável e integradora, necessária para construir um mundo melhor em todos os níveis. Entretanto, no mundo segue predominando uma masculinidade tóxica...


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LIMITE, FRAGILIDADE E TRANSCENDÊNCIA


A relação entre a materialidade da carne (sarx) e a carne inspirada (bāśār) se dá pela possibilidade do psíquico na materialidade do mundo e da carne. Bíblicamente, isto é possível pelo dom do sopro do Ruah. Logo, se estabelece uma relação inextrincável entre carne e espírito. Sarx é a mundaneidade da carne, lugar do nosso limite e fragilidade. Somos solidários naquilo que fomos gerados, nesta nossa fragilidade. Mas bāśār traz em si uma ênfase no caráter mais profundo do psiquismo da carne, uma ênfase no sentido, porque tem  relação com o Ruah. Diferentemente, o termo grego tem uma conotação de exterioridade. Vivemos “na carne” porque nosso é o viver no mundo da encarnação ou da finitude do humano, mas, biblicamente, viver “segundo a carne” significa viver desconexo ou em desobediência ao Ruah. Não dar audiência ao espírito que Deus nos deu pelo Ruah é a negação da condição humana de carne psíquica (que se diz na relação com o Ruah de Deus). O lugar da relação entre relação entre sarx  e bāśār é o soma. Soma é o corpo próprio do vivente; ele acontece na medida em que Deus inspira e faz a carne respirar, mas se retira na Sua santidade. Nosso corpo é próprio, é nosso! Nos dá a liberdade circunscrita da matéria na sua relação com o Espírito (autonomia da coisas criadas). Assim, especificamente, o corpo é o lugar da santidade.. É nesse lugar que acontece a personalização, o rosto, porque em relação com os demais humanos, o mundo e Deus. O corpo é a pessoa, lugar de identidade. Interligados sem se confundir, constituindo uma pericorese, estão sarx  (mundandeidade), bāśār (palavra/espírito) e soma (corpo próprio da pessoa; pessoalidade). Assim, é possível que o corpo seja o lugar da santidade, do intercurso/relação com o Santo. Pela palavra/linguagem/espírito, as relações humanas transcendem também a presença imediata da força, da vitalidade, da possibilidade de manipulação, controle e posse do corpo (violência). Esse mesmo fôlego que aponta para a transcendência de nossa fragilidade material, aponta ainda para relações humanas de sentido além da corporalidade, seja ela no âmbito da sexualidade, ou do trabalho, por exemplo.