O celibato é pensado em termos do nosso imaginário de esponsalidade, fecundidade, graça, dom e perdão. Somente onde há liberdade é que se pode pretender viver a castidade na nossa história de santificação. A história é o acontecer da liberdade na nossa relação com o Santo.
O celibato de Jesus (i) não é marginal, funcional ou mera ascese na Sua vida. Ele é célibe em vista da espera messiânica. Jesus associa sua pessoa ao anúncio da realização das promessas messiânicas. Logo, a visão cristã do celibato (ii) é construída a partir de Jesus, numa re-interpretação do mito adâmico. Se nos patriarcas a fecundidade foi interpretada como geracional e nos profetas em função da promessa de paz e justiça como resultado da fidelidade na espera pela instauração do reinado de Deus, em Jesus-Messias já se chegou à plenitude dos tempos (o tempo messiânico). Se a procriação tinha uma função de espera e gestação do Messias, por viverem os cristãos no tempo messiânico, a procriação geracional fica relativizada, e o celibato pode ser vivido como possibilidade do seguimento de Jesus Cristo. No sinal do celibato o cristão anuncia que o tempo já chegou. Logo, o celibato é sacramental e martirial. E como o seguimento se dá na história, é possível uma ética do celibato, isto é, o celibato é justificável do ponto de vista Cristológico, teológico (criação/redenção/santificação), escatológico, fundamental/trinitário (o Pai revela-se no Filho e este nos dá seu Espírito) e antropológico (re-significação da nossa humanidade pela incorporação em Cristo, ou porque somos re-criados em Cristo Jesus).
O caráter ético do celibato está no cuidado/responsabilidade por si mesmo (i), para que o corpo próprio seja expressão do Reinado de Deus; pelo celibato do outro (ii), porque o desejo (de bem, do outro, de Deus) me faz querer que o Reino chegue ao corpo do outro; pela responsabilidade com a comunidade (iii), em vista da sua fecundidade. Sem a comunidade, o celibato é estéril, é continência, ou ascese pessoal. Sem a comunidade, o celibato pode ser uma determinação psico-afetiva do modo como se expressa sexualmente a pessoa. Neste caso, assemelha-se a uma desvantagem ou amputação (handicap).
Blog da disciplina "Ética cristã da sexualidade" do Departamento de Teologia da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia-FAJE. Inspirada nas aulas do prof. Nilo Ribeiro SJ, com re-interpretações próprias do professor e contribuições dos alunos e alunas.
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